As tarifas anunciadas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, caso volte à presidência dos Estados Unidos, podem acabar estreitando ainda mais os laços comerciais e industriais entre Brasil e China. A avaliação é de especialistas em relações internacionais, que enxergam uma mudança estratégica no cenário global.
Desde 2009, a China já ocupa o posto de maior parceiro comercial do Brasil. E o setor automobilístico é uma das áreas que mais ilustram essa aproximação. Só em 2023, as importações de carros chineses pelo Brasil atingiram 1 bilhão de dólares. No ano seguinte, esse valor triplicou, chegando a 3 bilhões. Em 2025, até o mês de junho, o país já ultrapassou a marca de 2 bilhões de dólares.
Esse movimento, no entanto, não envolve apenas a entrada de veículos prontos. Montadoras inteiras estão migrando para o Brasil, substituindo estruturas antes ocupadas por marcas ocidentais, principalmente no interior de São Paulo e na Bahia. Em São Paulo, por exemplo, uma nova linha de produção será inaugurada no próximo mês, pouco mais de dois anos após a primeira venda da marca no país.
Segundo Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais da fabricante chinesa GWM, o plano é transformar o Brasil em uma base de produção estratégica para toda a América do Sul e América Latina. "Nossa estratégia sempre foi olhar o Brasil, começar a fazer as primeiras vendas, trazer novas tecnologias, mas também preparar uma estratégia para fazer do Brasil uma base de produção", afirma.
Para analistas, o aumento de investimentos industriais sinaliza não apenas uma relação comercial sólida, mas também um compromisso bilateral de longo prazo. A China já ultrapassou os Estados Unidos em volume de investimentos no Brasil, especialmente nos setores de energia limpa, tecnologia e mobilidade.
Túlio Cariello, diretor do Conselho Empresarial Brasil-China, afirma que esse movimento acontece num momento em que a América Latina parece ter perdido prioridade na política externa dos Estados Unidos. “A China vê na América Latina uma região complementar, fornecedora de insumos estratégicos, como commodities agrícolas, minerais e energéticas. Por isso, essa aproximação é natural”, explica.
Ele ainda destaca que o fortalecimento diplomático chinês na região vem acompanhado de investimentos estruturais que buscam maior eficiência nas relações comerciais a longo prazo.
Já o professor Alexandre Uehara, da ESPM, destaca que mesmo com as tensões criadas pelas tarifas propostas por Trump, o Brasil não deve se afastar de nenhuma das potências. “Não há interesse econômico em romper com nenhum dos dois lados. O mais sensato é seguir negociando e manter o diálogo com ambos”, afirma.
Para Uehara, o ideal seria que a diplomacia brasileira encontrasse um ponto de equilíbrio, aproveitando as oportunidades que surgem sem fechar portas.
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Fonte: G1
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