Entidades representativas da área médica manifestaram preocupação com os resultados mais recentes da avaliação dos cursos de Medicina no Brasil e acenderam o alerta para a baixa qualidade da formação profissional. Para as instituições, o cenário evidencia um modelo marcado pela mercantilização do ensino e reforça a necessidade de medidas urgentes, como a adoção de uma prova nacional de proficiência para médicos recém-formados.
O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, classificou a situação como caótica e considerou uma irresponsabilidade permitir que estudantes com desempenho insuficiente ingressem no exercício da profissão. Segundo ele, o problema não se limita apenas aos cursos que receberam conceitos 1 e 2, considerados não proficientes pelo Ministério da Educação, mas também aos que alcançaram conceito 3.
De acordo com César Eduardo Fernandes, o conceito 3 está entre o ruim e o bom e não atinge as condições mínimas necessárias para garantir um atendimento adequado à população. Ele destacou que isso significa que cerca de 50% dos médicos formados no país não apresentam um nível de qualidade considerado realmente satisfatório.
A Federação Nacional dos Médicos (FNM) também se posicionou por meio de nota oficial, reforçando a defesa de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que propõe a exigência de uma prova de proficiência para médicos recém-formados. A proposta foi aprovada em uma comissão do Senado em dezembro e, inicialmente, não contava com o apoio do governo federal.
No entanto, recentemente, o ministro da Educação, Camilo Santana, admitiu a possibilidade de que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) venha a cumprir esse papel no futuro, funcionando como um instrumento de verificação das competências dos novos profissionais.
Para a FNM, a expansão desordenada dos cursos de Medicina compromete diretamente a qualidade da assistência prestada à população. A entidade avalia que o ensino médico se transformou em um grande comércio, com a abertura indiscriminada de escolas e a inserção no mercado de profissionais com formação insuficiente, o que, segundo a federação, exige um freio urgente.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) também adotou um tom crítico. Em nota oficial, o presidente da instituição, José Hiran Gallo, afirmou que os resultados representam um risco direto à saúde e à segurança da sociedade. Segundo ele, quando mais de 13 mil egressos dos cursos de Medicina apresentam desempenho considerado crítico e insuficiente pelo próprio MEC, o país enfrenta um problema grave, com milhares de graduados recebendo diploma e registro profissional sem comprovar competências mínimas para atender a população.
fonte:CearáAgora
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