O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida no mercado como Will Bank. A fintech integrava o grupo do Banco Master, instituição que já havia sido liquidada em novembro de 2025.
Segundo o Banco Central, a medida foi adotada em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da empresa, do quadro de insolvência e do vínculo direto de interesses com o Banco Master. A autoridade monetária avaliou que a recuperação da instituição se tornou inviável, o que levou ao encerramento definitivo das atividades.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, figura entre os controladores da Will Financeira. Também constam como sócios a Will Holding Financeira S.A., Master Holding Financeira S.A., 133 Investimentos e Participações Ltda., além de Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen.
A decisão do Banco Central encerra o regime de administração especial temporária ao qual o Will Bank estava submetido desde a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro. Na ocasião, o regulador optou por preservar a operação do banco digital diante da expectativa de uma eventual venda, que não se concretizou dentro do prazo máximo de 120 dias.
A liquidação extrajudicial é aplicada quando o regulador conclui que não há condições para a continuidade ou recuperação da instituição. Com a medida, o funcionamento do banco é interrompido, a empresa é retirada do Sistema Financeiro Nacional e os bens dos controladores e ex-administradores passam a ficar indisponíveis.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o Banco Central destacou que, diferentemente do regime especial temporário, em que as atividades podem continuar mesmo com o afastamento da diretoria, a liquidação representa o encerramento definitivo das operações.
Antes mesmo do anúncio oficial, a bandeira Mastercard havia suspendido a aceitação de transações realizadas com cartões emitidos pelo Will Bank. A decisão ocorreu após a identificação de que operações feitas por consumidores não estavam sendo honradas junto aos participantes do arranjo de pagamentos.
A medida buscou evitar a ampliação do passivo da instituição. A Mastercard também executou garantias relacionadas a dívidas do banco digital, passando a deter participações relevantes na varejista Westwing e no Banco de Brasília (BRB).
Criado em 2017 e adquirido pelo grupo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, conforme dados do próprio Banco Central.
Uma eventual venda da fintech era considerada uma alternativa para reduzir as perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em investimentos garantidos. No caso do Banco Master, o FGC terá de desembolsar R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores, na maior indenização de sua história.
Sem a concretização da venda do Will Bank, técnicos avaliam que o impacto financeiro sobre o fundo tende a aumentar. Em setembro, o banco digital registrava R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não possuía recursos em depósitos à vista.
Paralelamente, o grupo Master continua no centro de investigações da Polícia Federal. Na semana passada, foi deflagrada a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
Fonte:DCM
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