O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será submetido nesta quinta-feira (25) a uma cirurgia eletiva para correção de uma hérnia inguinal bilateral. Ele foi internado nesta quarta-feira (24), véspera de Natal, para a realização do procedimento, que ocorre após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A liberação judicial foi concedida com base em avaliação médica da Polícia Federal, que apontou a necessidade da intervenção cirúrgica para evitar agravamento do quadro clínico, sem caracterizar situação de urgência ou emergência.
Por determinação judicial, o acesso ao quarto do ex-presidente será rigidamente controlado. Está proibida a entrada de celulares, computadores ou qualquer outro dispositivo eletrônico, com exceção de equipamentos médicos indispensáveis ao tratamento. A fiscalização ficará sob responsabilidade exclusiva da Polícia Federal.
No âmbito pessoal, apenas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está autorizada a acompanhar o ex-presidente durante todo o período de internação, respeitando as normas do hospital. Qualquer outra visita, inclusive de familiares, dependerá de autorização judicial específica. O pedido da defesa para permitir visitas frequentes dos filhos Flávio e Carlos Bolsonaro foi negado.
A hérnia inguinal ocorre quando tecidos do abdômen atravessam um ponto enfraquecido da parede muscular na região da virilha, formando um abaulamento. Quando esse deslocamento acontece dos dois lados do corpo, a condição é classificada como hérnia inguinal bilateral. Os sintomas mais comuns incluem dor, inchaço e desconforto, principalmente durante esforço físico, tosse ou longos períodos em pé, embora alguns casos sejam assintomáticos.
Especialistas explicam que a parede abdominal é composta por várias camadas de proteção, incluindo músculos e uma estrutura rígida chamada aponeurose. Cirurgias anteriores podem gerar cicatrizes internas e aderências, que alteram a anatomia local e reduzem a resistência dos tecidos, favorecendo o surgimento da hérnia. Quando o intestino ultrapassa esse ponto enfraquecido, pode ocorrer o chamado encarceramento intestinal, situação em que a alça fica presa fora da cavidade abdominal.
A correção cirúrgica pode ser realizada por videolaparoscopia ou por cirurgia aberta. Na técnica minimamente invasiva, o cirurgião utiliza uma câmera para liberar aderências, reposicionar o intestino e reforçar a parede abdominal com uma tela. Já a cirurgia aberta é indicada em casos mais complexos e permite a liberação manual das alças intestinais, com reforço da musculatura.
Além da hérnia, os peritos avaliaram os episódios de soluços persistentes relatados por Bolsonaro. Foi indicada a possibilidade de bloqueio do nervo frênico, procedimento feito com anestesia local e guiado por ultrassom, recomendado quando tratamentos convencionais não apresentam resposta. Médicos destacam que a hérnia inguinal não tem relação direta com os soluços, que podem estar associados a irritações no diafragma ou a problemas gastroesofágicos, como a hérnia de hiato.
Fonte: DCM
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