O médico Cláudio Birolini confirmou nesta terça-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo cranioencefálico leve após passar mal durante a madrugada na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena. Segundo o médico, Bolsonaro será submetido a exames para uma avaliação mais detalhada do quadro clínico.
De acordo com Birolini, quedas representam um risco relevante diante das atuais condições de saúde do ex-presidente. Ele afirmou que esse tipo de ocorrência já vinha sendo motivo de alerta por parte da equipe médica. Segundo o profissional, o histórico clínico de Bolsonaro exige atenção redobrada para episódios de impacto, mesmo quando considerados leves.
A informação veio a público após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatar nas redes sociais que o ex-presidente teria tido uma crise de soluços enquanto dormia, o que teria provocado a queda e a batida da cabeça em um móvel dentro da unidade policial.
Michelle afirmou ainda que, por Bolsonaro estar detido em uma sala especial da Polícia Federal, o atendimento médico inicial só ocorreu no momento em que ele foi chamado para a visita. Ela esteve na unidade na manhã desta terça-feira e disse aguardar esclarecimentos sobre como foram prestados os primeiros socorros. Integrantes da Polícia Federal, ouvidos sob reserva, afirmaram que houve atendimento no local e minimizaram a gravidade do episódio.
Além de Cláudio Birolini, o cardiologista Brasil Ramos Caiado também foi acionado e esteve na Superintendência da Polícia Federal para realizar avaliação clínica do ex-presidente.
O episódio ocorre poucos dias após Bolsonaro apresentar melhora no estado de saúde. Na semana passada, ele recebeu alta do hospital DF Star, onde ficou internado por nove dias após passar por uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Durante a internação, iniciada em 24 de dezembro e encerrada no dia 1º de janeiro, Bolsonaro também foi submetido a um bloqueio do nervo frênico, procedimento indicado para conter crises persistentes de soluços, associadas, segundo os médicos, a complicações da facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018.
Desde o retorno à custódia da Polícia Federal, aliados relataram evolução clínica considerada positiva, com redução das crises de soluço. Ainda assim, pessoas próximas afirmam que o ex-presidente vinha se queixando de dificuldades para dormir, atribuídas ao funcionamento contínuo e ao ruído do sistema de ar-condicionado da unidade.
A defesa levou a reclamação ao Supremo Tribunal Federal. Em petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados afirmaram que o barulho compromete o repouso de Bolsonaro e solicitaram providências como isolamento acústico ou adequação do espaço. Na segunda-feira, Moraes determinou que a Polícia Federal se manifeste, no prazo de cinco dias, sobre as condições relatadas.
Jair Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
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