O Brasil vem se consolidando como protagonista mundial na cirurgia do câncer, em um cenário marcado pelo crescimento acelerado da doença em todo o planeta. Atualmente, o câncer já figura como um dos maiores desafios de saúde pública global e caminha para se tornar a principal causa de mortes no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2025, o número de novos diagnósticos ultrapassará 20 milhões por ano. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer, são registrados cerca de 705 mil novos casos anuais, número que reflete não apenas fatores ambientais e comportamentais, mas também o envelhecimento da população.
Dados do IBGE mostram que a expectativa de vida do brasileiro saltou de 45,5 anos em 1940 para 76,5 anos em 2023. Esse avanço, embora positivo, aumenta a incidência de doenças crônicas, como o câncer, exigindo respostas mais rápidas do sistema de saúde, maior conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce e ampliação do acesso ao tratamento.
Mesmo diante dos desafios, o Brasil construiu uma competência reconhecida internacionalmente. O país é referência global em cirurgia oncológica de alta complexidade, com elevados padrões de segurança, precisão e bons resultados clínicos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, cerca de 90% dos pacientes com câncer passam por algum tipo de procedimento cirúrgico ao longo do tratamento.
Ainda segundo a entidade, aproximadamente 60% dos pacientes são submetidos a cirurgias com intenção curativa, enquanto 80% realizam procedimentos cirúrgicos, seja com finalidade curativa ou paliativa. Apesar disso, os dados do Datasus mostram um desequilíbrio nos investimentos públicos. Em 2023, o maior volume de recursos foi destinado ao tratamento medicamentoso, com R$ 2,77 bilhões, enquanto a cirurgia oncológica recebeu R$ 1,5 bilhão e a radioterapia, R$ 665 milhões.
No cenário internacional, o protagonismo brasileiro foi reforçado com a fundação da Sociedade Mundial de Cirurgia Oncológica, criada no Brasil e presidida pelo cirurgião brasileiro Alexandre Ferreira de Oliveira. A diretoria reúne especialistas de cinco continentes, com representantes de países como Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Itália, Índia e Portugal.
A cirurgia oncológica no país tem avançado de forma consistente, impulsionada por melhorias na prevenção, no diagnóstico, nas opções terapêuticas e na regulação de novas tecnologias. Um dos marcos recentes foi a incorporação da cirurgia robótica ao Sistema Único de Saúde, ampliando o acesso a procedimentos de alta precisão no tratamento do câncer.
Outro avanço significativo ocorreu no fim de 2024, com a inclusão da videolaparoscopia no SUS. A técnica minimamente invasiva passou a ser oferecida na rede pública para cirurgias como gastrectomia, colectomia, histerectomia e pancreatectomia, trazendo benefícios como redução do tempo de internação, menor dor no pós-operatório e diminuição do risco de complicações.
Em agosto de 2025, a Conitec recomendou a incorporação da prostatectomia radical robótica para casos localizados ou localmente avançados, consolidando uma nova fase tecnológica no SUS. A decisão simboliza a maturidade do processo regulatório brasileiro, cada vez mais alinhado à medicina baseada em evidências e à análise de custo-efetividade.
Apesar dos desafios ainda existentes, o Brasil demonstra capacidade de liderar transformações relevantes na oncologia mundial, reforçando sua posição como referência em cirurgia do câncer e ampliando o acesso da população a tratamentos modernos e eficazes.
Fonte:CearáAgora
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