O Brasil voltou a brilhar no cenário global automotivo, reassumindo em 2024 a 8ª posição entre os maiores produtores de veículos do mundo, com 2,5 milhões de unidades fabricadas, segundo a Anfavea. A chegada de seis montadoras chinesas — BYD, GAC, Geely, GWM, Leapmotor e Omoda Jaecoo — promete aquecer ainda mais o setor, com planos de expandir de 25 para 31 linhas de montagem em 23 municípios de oito estados. Enquanto o país se consolida como base para veículos híbridos e elétricos voltados à América Latina, EUA e Europa, o Ceará dá um passo ousado para entrar nesse jogo com o complexo industrial de Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Horizonte: o novo polo automotivo do Ceará
Pela primeira vez, o Ceará se posiciona na rota da indústria automotiva com um projeto ambicioso no município de Horizonte, onde funcionava a antiga fábrica da Troller (Ford). Liderado pela Comexport, o empreendimento visa criar uma montadora multimarcas — um modelo raro no Brasil — focada na montagem de veículos híbridos e elétricos, especialmente de marcas chinesas. O investimento inicial é de R$ 400 milhões, com operação baseada na montagem de kits CKD/SKD (peças importadas montadas localmente). A iniciativa prevê 255 empregos diretos na fase inicial e até 9 mil indiretos no longo prazo, trazendo esperança de desenvolvimento econômico para a região.
O projeto aproveita a infraestrutura logística do Porto do Pecém e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE), que posicionam o Ceará como um ponto estratégico para importação de componentes e exportação de veículos. A proposta é atrair montadoras como GWM e Leapmotor, que buscam bases enxutas e competitivas. Modelos como o BYD Dolphin Mini e o GWM Haval H6 podem ser montados em Horizonte, alinhando o estado à tendência global de eletrificação veicular.
Limitações do modelo cearense
Apesar do entusiasmo, o projeto em Horizonte enfrenta desafios para se equiparar aos polos automotivos tradicionais do Sudeste ou da Bahia, como a planta da BYD em Camaçari. A montagem de kits CKD/SKD gera menos valor agregado localmente, já que depende fortemente de componentes importados via Pecém. Além disso, a ausência de uma cadeia robusta de fornecedores no entorno limita a criação de um ecossistema industrial completo. Diferentemente de polos consolidados, que integram fabricantes de autopeças, clusters logísticos e milhares de empregos diretos, o modelo cearense é mais enxuto, com impacto econômico inicial modesto.
Para transformar Horizonte em um verdadeiro polo automotivo, o Ceará precisa superar barreiras como a falta de fornecedores locais e a necessidade de mão de obra especializada. Investimentos em programas de capacitação técnica, parcerias com universidades e incentivos fiscais para atrair fabricantes de autopeças são cruciais. Sem essas medidas, o projeto corre o risco de permanecer como uma linha de montagem de curto prazo, sem os efeitos multiplicadores de um polo industrial robusto.
Oportunidades para o Ceará
O complexo de Horizonte marca a entrada histórica do Ceará na indústria automotiva, um setor dominado por estados como São Paulo, Paraná e Bahia. A proximidade com o Porto do Pecém, um dos mais modernos do Brasil, e a ZPE oferecem vantagens logísticas que podem atrair contratos com montadoras chinesas. A demanda global por veículos híbridos e elétricos, como o Geely EX5, reforça o potencial do estado para se inserir nesse mercado. Além disso, a criação de empregos, mesmo que inicialmente limitada, pode impulsionar a economia local, beneficiando comércio e serviços em Horizonte e arredores.
Contexto nacional e desafios para o futuro
Enquanto o Brasil vive uma nova onda de crescimento automotivo, com as montadoras chinesas trazendo investimentos bilionários, o Ceará tem a chance de se destacar. No entanto, para ir além de uma operação enxuta, o estado precisa de estratégias de longo prazo, como a consolidação de uma cadeia produtiva local e acordos duradouros com marcas globais. O sucesso do projeto em Horizonte dependerá da capacidade do Ceará de transformar sua localização estratégica e incentivos fiscais em um polo industrial competitivo, capaz de gerar riqueza e inovação.
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Fonte: Focus Poder
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