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Ceará registra taxa de internação de jovens por transtornos mentais acima da média do país

Por Central FM 104,92 min de leitura
Ceará registra taxa de internação de jovens por transtornos mentais acima da média do país

O Ceará apresenta uma taxa de internação de jovens por transtornos mentais e comportamentais acima da média nacional. De acordo com estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Estado registra índice de 592,5 internações para cada 100 mil habitantes na faixa etária de 15 a 29 anos, enquanto a média brasileira é de 579,5 por 100 mil habitantes. Os dados consideram o período de janeiro de 2022 a novembro de 2024.

O levantamento aponta que mais da metade das hospitalizações ocorre por transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas ou por transtornos de humor. Em nível nacional, as principais causas de internações são esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e delirantes, que respondem por 31,9% dos casos; transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de substâncias, como álcool e cannabis, com 31%; e transtornos do humor, como depressão e transtorno bipolar, que representam 23%.

Segundo especialistas, o elevado número de internações é um indicativo de falhas no atendimento precoce em saúde mental. O médico psiquiatra e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fábio Gomes de Matos, avalia que a hospitalização ocorre porque não houve assistência adequada na atenção primária. Já o coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho, destaca que a ausência de escuta qualificada contribui para que os quadros se agravem antes de qualquer intervenção.

O estudo também alerta para a situação dos jovens adultos entre 25 e 29 anos, que apresentam a maior taxa de internação entre os subgrupos analisados no Ceará, com 747,5 casos por 100 mil habitantes, acima da média nacional dessa faixa etária. Nessa população, os transtornos mais frequentes envolvem depressão, ansiedade, esquizofrenia e dependência química.

Especialistas ressaltam ainda que fatores socioeconômicos, como violência urbana, desigualdade social e insegurança, atuam como catalisadores de crises de saúde mental, ampliando quadros de ansiedade, pânico e estresse pós-traumático.

A psicóloga clínica Carolina Ramos reforça que a internação deve ser adotada apenas em situações graves, quando há risco à vida ou incapacidade de autocuidado, e que o aumento das hospitalizações revela a falta de diagnóstico e acompanhamento precoce. Para ela, a saúde mental precisa ser tratada sem estigmas e com a presença de psicólogos e psiquiatras na Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo da Fiocruz é visto como um sinal de alerta para a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e fortalecimento da rede de atenção psicossocial, evitando que o sofrimento dos jovens só seja percebido quando a internação se torna a única alternativa.

Caso a pessoa esteja se sentindo sozinha, triste, angustiada, ansiosa ou com pensamentos relacionados ao suicídio, é fundamental buscar ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito 24 horas pelo telefone 188 e também por chat e e-mail. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e unidades do SUS também prestam apoio em saúde mental.


fonte:Diário do Nordeste

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