O Ceará registra a terceira maior fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Brasil, com 217.975 pedidos aguardando análise, segundo dados mais recentes do Portal da Transparência (setembro de 2025). O número coloca o estado atrás apenas de São Paulo (423.802) e Minas Gerais (245.551). Entre os principais gargalos estão os benefícios assistenciais (BPC), que concentram os maiores tempos de espera, além de pedidos por incapacidade.
Aos 70 anos, a costureira Iradene Almeida convive com dores constantes nas costas e aguarda desde maio de 2025 a concessão da aposentadoria definitiva. Diagnosticada com artrite reumatoide e hérnias de disco, ela tenta complementar a renda com pequenos trabalhos em casa, já que as limitações físicas a impedem de manter uma rotina regular de trabalho.
Situação semelhante afeta milhares de cearenses. Em setembro, mais de 80 mil pedidos de BPC aguardavam análise há mais de 45 dias, enquanto cerca de 60 mil benefícios por incapacidade também estavam travados além do prazo adequado. A demora afeta diretamente a qualidade de vida dos segurados, muitos dos quais recorrem ao Judiciário apenas para que o INSS analise os pedidos.
Especialistas apontam a falta de estrutura, servidores e peritos como os principais fatores que travam o sistema. O advogado previdenciário Paulo Albuquerque alerta que a fila cresce devido à carência de profissionais e à ausência de reposição por concursos, além da necessidade de perícias médicas e análises da Dataprev, especialmente em benefícios como o BPC, onde apenas 13% dos pedidos estão sob responsabilidade direta do INSS.
A crise no instituto também envolve casos de fraudes. No ano passado, estourou o esquema denominado “Farra do INSS”, que desviou R$ 6,3 bilhões de mais de 4 milhões de aposentados e pensionistas em todo o país. No Ceará, os pagamentos de ressarcimento já somam R$ 181,17 milhões, beneficiando 274.626 segurados que tiveram descontos indevidos em seus benefícios.
O tempo médio nacional de análise dos pedidos do INSS é de 48 dias, mas no Nordeste, o prazo médio chegou a 54 dias, colocando o Ceará entre os estados mais afetados pela lentidão do sistema. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, a fila nacional aumentou quase 50%, passando de 1,9 milhão para 2,8 milhões de pedidos.
fonte:DN
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