O Ceará, antes referência nacional em energia limpa, enfrenta uma das maiores crises do setor de energias renováveis dos últimos anos. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará (Sindmetal-CE), entre 2024 e 2025, cerca de cinco a seis mil trabalhadores foram demitidos de empresas como Aeris e Vestas, que atuam na cadeia eólica e solar.
O consultor em energias Adão Linhares alerta que o Estado vive o “maior desaquecimento do setor desde os anos 2000”, com paralisação de novos contratos e fuga de investimentos. O cenário foi agravado pelos chamados “curtailments” — cortes na geração de energia por falta de infraestrutura de transmissão, que impedem o escoamento da produção do Ceará para outras regiões.
Dados do Observatório da Indústria da Fiec apontam saldo negativo de 3.471 vagas no setor elétrico entre janeiro de 2024 e setembro de 2025. A Aeris confirma 3.700 demissões, enquanto a Vestas realizou 41 cortes em outubro. Em nível nacional, a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) estima a perda de 10 mil empregos diretos.
De acordo com especialistas, a crise é consequência de gargalos estruturais, falta de leilões de geração, concorrência internacional e ausência de políticas de incentivo. O Ceará, onde 72% da energia gerada vem de fontes renováveis, já acumula prejuízos bilionários — R$ 20 milhões apenas no segmento eólico em 2025.
O Governo do Ceará, por sua vez, nega retração e afirma que o setor elétrico estadual criou 1.460 novos postos de trabalho formais entre 2020 e 2025. O Executivo destaca projetos estratégicos, como o Hub de Hidrogênio Verde, que promete atrair novos investimentos e gerar empregos.
Apesar da situação delicada, especialistas projetam uma retomada apenas em 2027, condicionada à expansão do sistema de transmissão e a políticas públicas de incentivo à cadeia renovável.
fonte: Diário do Nordeste
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