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De pais para filhos: cooperativas transformam o sertão do Ceará com inovação e sustentabilidade

Por Central FM 104,92 min de leitura
De pais para filhos: cooperativas transformam o sertão do Ceará com inovação e sustentabilidade

A história de Valdemar Gomes, agricultor do Sertão dos Inhamuns, simboliza o poder transformador do cooperativismo no Ceará. Incomodado com a falta de autonomia dos produtores para definir o preço de suas colheitas, ele fundou, há 24 anos, a Cooperativa de Agricultores e Empreendedores Familiares do Estado do Ceará (Coopdest). Hoje, mais de 500 trabalhadores cooperados cultivam frutas, hortaliças e criam gado, garantindo renda justa e até exportando pimenta-de-cheiro de Quiterianópolis para a Argentina.

A agricultora Maria Zeneide Lopes, de 60 anos, compartilha da mesma visão. “Hoje, a gente já planta sabendo onde vai colocar, com os preços fixos o ano todo. Em lugar de ter um atravessador, entregamos na cooperativa, e a cooperativa entrega nas escolas. Isso ajuda muito a gente”, conta orgulhosa.

Para Valdemar, o segredo do sucesso está na inovação e sustentabilidade. A Coopdest investe em energia solar, transporte refrigerado e certificações orgânicas. “Começamos comprando um carro frigorífico para as entregas, depois colocamos energia solar. Tudo decidido em assembleia”, explica.

A professora e pesquisadora da UFC, Nazaré Soares, destaca que o cooperativismo é mais que um modelo econômico: é uma filosofia de vida. “É um sistema de valores que une trabalho e vida. As decisões são coletivas e sustentáveis, e isso gera aprendizado e fortalecimento comunitário”, avalia.

No Ceará, o cooperativismo agrícola movimentou R$ 6,82 bilhões em 2024, com crescimento de 11,5% em relação a 2023, segundo o Sistema OCB. Foram R$ 250 milhões em sobras financeiras — recursos que retornam aos cooperados ou são reinvestidos nas próprias comunidades.

A transformação também chega à indústria criativa rural. No sertão, o produtor Vicente Monteiro criou o espumante de caju “Cauina”, fruto da parceria entre o projeto Alquimista da Caatinga e agricultores familiares. O produto já chega a restaurantes de São Paulo e projeta expansão internacional. “Criamos um modelo que permite ao próprio agricultor produzir e se beneficiar. É uma tecnologia social, feita para ser compartilhada”, explica Vicente.

Apesar dos avanços, desafios persistem. A falta de crédito e assistência técnica ainda limita o crescimento de algumas cooperativas. “Mesmo em bancos públicos, é mais difícil conseguir financiamento sendo cooperativa. Isso cria desigualdade de competitividade”, alerta André Fontenelle, do Sistema OCB-CE.

Ainda assim, os números mostram que o cooperativismo cresce mais rápido que o PIB do Ceará e se consolida como modelo duradouro e sustentável. “Não é só economia, é comunidade”, resume Valdemar Gomes, ao ver os filhos seguirem o mesmo caminho.

Você acredita que o cooperativismo é o caminho mais sustentável para o desenvolvimento do sertão cearense?

Fonte:Diário do Nordeste

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