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Déficit no sistema prisional do Ceará pode resultar na soltura de dois mil detentos

Por Central FM 104,92 min de leitura
Déficit no sistema prisional do Ceará pode resultar na soltura de dois mil detentos

A falta de vagas no sistema penitenciário do Ceará pode resultar na soltura de quase dois mil presos nos próximos 30 dias. A situação levou o Ministério Público do Ceará (MPCE) a solicitar intervenção imediata do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), diante do déficit de vagas para o cumprimento de pena em regime semiaberto, especialmente na Comarca de Fortaleza.

Na última semana, os juízes titulares das quatro Varas de Execução Penal assinaram uma portaria conjunta determinando a realização de um mutirão para revisar a situação de apenados do regime semiaberto. Atualmente, quase quatro mil internos estão aptos à progressão, mas o único presídio destinado a esse regime no Estado tem capacidade para cerca de 1.400 vagas, o que gera um déficit aproximado de dois mil presos.

O Ministério Público demonstrou preocupação com a medida e afirma que há risco de comprometimento da individualização das penas e da segurança pública. Em documento assinado pelo procurador-geral de Justiça, Herbet Gonçalves Santos, e pelo subprocurador-geral jurídico, Luís Laércio Fernandes Melo, o órgão pede providências urgentes ao CNJ, alegando que as decisões do mutirão podem produzir efeitos irreversíveis.

O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou que a progressão de regime prioriza internos com bom comportamento, sem reincidência e sem vínculo com organizações criminosas. Segundo o Judiciário, a adoção de medidas emergenciais está alinhada ao enfrentamento do estado de coisas inconstitucional do sistema prisional brasileiro.

Caso haja liberação dos apenados, está prevista a utilização de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento. A Defensoria Pública do Estado do Ceará informou que participará do mutirão e destacou que a portaria tem caráter excepcional e temporário, dentro do programa Pena Justa.

O mutirão teve início nesta segunda-feira (26) e segue até o dia 23 de fevereiro de 2026. Enquanto isso, o Governo do Estado anunciou a construção de três novos presídios até 2026, com cerca de quatro mil vagas, todas destinadas ao regime fechado, como forma de reduzir a superlotação do sistema.

Fonte:DN

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