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Demora no TSE mantém deputados do PL no exercício do mandato mesmo após cassação

Por Central FM 104,93 min de leitura
Demora no TSE mantém deputados do PL no exercício do mandato mesmo após cassação

A demora no julgamento do recurso envolvendo a cassação de quatro deputados estaduais do Partido Liberal (PL) no Ceará tem levantado questionamentos sobre a legitimidade dos mandatos e gerado preocupações entre especialistas em Direito Eleitoral e ciência política.

Os parlamentares Alcides Fernandes, Carmelo Neto, Dra. Silvana e Marta Gonçalves tiveram os mandatos cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) em maio de 2023, após decisão que apontou fraude à cota de gênero nas eleições de 2022. A medida foi tomada poucos meses após os deputados assumirem seus cargos na Assembleia Legislativa do Ceará.

Mesmo após a cassação em segunda instância, os parlamentares permanecem no exercício dos mandatos, pois a decisão ainda depende de análise definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O recurso tramita na Corte desde 2024 e recebeu o primeiro voto apenas no fim de novembro do ano passado, quando o relator do processo, ministro Antônio Carlos Ferreira, reconheceu a existência de fraude na chapa do partido.

Após o voto do relator, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Sebastião Reis Júnior, o que suspendeu temporariamente a análise do caso. Com o retorno das atividades do Judiciário em fevereiro de 2026, há expectativa de que o processo volte à pauta, embora ainda não exista previsão oficial para a conclusão do julgamento.

Especialistas apontam que a demora excessiva contraria o princípio da celeridade que costuma orientar a Justiça Eleitoral. O presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Ceará, Fernandes Neto, afirmou que a morosidade gera insegurança jurídica e dificulta a definição sobre a validade dos mandatos.

A professora de Direito Eleitoral da Universidade Federal do Ceará (UFC), Raquel Machado, também destacou que o tempo é um fator decisivo para a efetividade das decisões judiciais. Segundo ela, tanto a aplicação de uma eventual punição quanto a confirmação da regularidade dos mandatos precisam ocorrer em prazo adequado, sob risco de perda do efeito prático e jurídico da decisão.

A situação não é inédita no Ceará. Em legislaturas anteriores, parlamentares que tiveram mandatos cassados pelo TRE conseguiram concluir seus períodos no cargo devido à demora na análise final dos recursos pelo TSE.

No caso atual, o voto do relator apresentou uma interpretação considerada diferente do padrão adotado pela Justiça Eleitoral em casos semelhantes. Tradicionalmente, quando é comprovada fraude à cota de gênero, toda a chapa é cassada e os votos anulados. No entanto, o relator defendeu a anulação apenas dos votos de candidatos homens e a preservação dos votos e mandatos das candidatas mulheres, sob o argumento de que a medida respeita o objetivo da legislação, que é ampliar a participação feminina na política.

Para especialistas, a demora no julgamento também impacta a confiança da população no sistema eleitoral. A socióloga e cientista política Paula Vieira afirma que a indefinição prejudica a transparência e levanta dúvidas sobre a legitimidade da representação política.

Segundo ela, a falta de uma decisão definitiva enfraquece o combate a irregularidades e pode incentivar a repetição de práticas consideradas ilegais, já que os mandatos continuam sendo exercidos enquanto o processo permanece sem conclusão.

Enquanto aguardam o desfecho no TSE, os deputados seguem exercendo normalmente suas funções parlamentares, inclusive utilizando recursos públicos e participando das atividades legislativas. O julgamento definitivo poderá confirmar a cassação, modificar a decisão ou até validar os mandatos, dependendo do entendimento final da Corte.

Fonte:DN

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