Entidades envolvidas na chamada “Farra do INSS” chegaram a utilizar cópias xerocadas e manipuladas de fotos de RG no lugar das selfies obrigatórias para validar a adesão de aposentados a descontos associativos, segundo documentos obtidos pela Controladoria-Geral da União (CGU).
A fraude foi identificada em milhares de páginas apresentadas nos processos de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS. O material inclui fichas de filiação e contratos feitos com empresas de biometria ligadas aos investigados no esquema bilionário. As imagens eram inseridas no espaço reservado para selfies, burlando as exigências de biometria facial e digital.
A validação biométrica passou a ser obrigatória em 2024, após denúncias do portal Metrópoles revelarem os descontos indevidos. No entanto, empresas como Soluções Power BI Software Tecnologia e Internet, Confia Tecnologia da Informação e Dataqualify Desenvolvimento criaram plataformas para simular a legalidade das fichas. Juntas, essas empresas foram contratadas por entidades que arrecadaram R$ 2,2 bilhões com os descontos, desarticulados somente após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal, em abril deste ano.
Entre os casos, estão fichas da Cenap.Asa com fotos antigas ou coloridas artificialmente. Algumas eram cópias em preto e branco de RGs. A Cenap.Asa foi descredenciada pelo INSS e hoje responde a processos judiciais e à CGU.
A Power BI, do empresário Igor Dias Delecrode, foi contratada por oito entidades que arrecadaram R$ 1,4 bilhão. Delecrode também atuava como dirigente de três associações investigadas: Amar Brasil, Master Prev e Aasap. Por trás dessas organizações estão empresários ligados ao mercado de crédito consignado, como Américo Monte, Anderson Cordeiro e Felipe Gomes Macedo — este último doou R$ 60 mil à campanha do ex-ministro da Previdência, Onyx Lorenzoni.
Em alguns processos, assinaturas digitais foram desconsideradas porque a geolocalização indicava locais distantes da residência dos aposentados. Uma entidade chegou a contratar a empresa do próprio presidente para validar as assinaturas — a AASPA, que faturou R$ 6 milhões. Seu presidente, Anderson Ladeira, também é dono da Dataqualify, responsável pelas fichas consideradas inválidas pela Justiça.
Além dessas empresas, a CGU também investiga fichas produzidas pela Confia, contratada pelo Sindnapi, sindicato ligado a Frei Chico, irmão do presidente Lula, e pela Anapps, que faturou R$ 127 milhões.
O Metrópoles tentou contato com todas as empresas e entidades citadas, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.
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📌 Fonte:Metrópoles
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