A interrupção total das atividades do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), após o incêndio ocorrido na quinta-feira (13), acendeu um alerta sobre a capacidade da rede materno-infantil de Fortaleza. A unidade, que completaria 100 anos em breve, foi totalmente desativada após a transferência de 117 bebês e 153 mães e acompanhantes, deixando um vazio assistencial importante na capital cearense.
Localizado na Avenida Imperador, o hospital é historicamente reconhecido como referência em obstetrícia, neonatologia e serviços de alta complexidade, como Banco de Leite Humano, assistência a gestantes de alto risco e atendimento a bebês prematuros por meio do Método Canguru. Antes do incêndio, o HGCC possuía 195 leitos ativos, além de registrar cerca de 14 mil atendimentos de emergência entre janeiro e outubro deste ano.
Especialistas alertam que o fechamento, mesmo temporário, gera impactos diretos na rede pública. Entre eles, a sobrecarga de outras maternidades, a possível interrupção de atendimentos ambulatoriais, além da perda de um polo fundamental de formação profissional na saúde, já que o hospital abrigava internato, residência médica e diversas atividades de ensino.
Como medida emergencial, o Governo do Estado anunciou a abertura de 285 novos leitos obstétricos e neonatais em parceria com a Prefeitura de Fortaleza e o Governo Federal. A distribuição será feita no Hospital Universitário do Ceará (185 leitos), no Hospital da Mulher (60) e no Gonzaguinha da Messejana (40). Ainda assim, especialistas ponderam que novos leitos não são suficientes para suprir o déficit histórico da rede materno-infantil, que já operava com sobrecarga antes do episódio.
A médica e pesquisadora da UFC, Aline Veras, reforça que o cenário exige cautela: “A suspensão da emergência no César Cals aumenta muito a demanda por leitos de alta complexidade e pode gerar atrasos em pré-natais e partos de risco. A rede já estava pressionada antes do incêndio.”
Outro ponto sensível é a redistribuição dos profissionais. Segundo o Sindsaúde, cerca de 1.500 cooperados devem ser realocados, além de servidores e equipes administrativas, o que gera insegurança e exige equilíbrio na distribuição dos trabalhadores entre as unidades que agora absorvem o fluxo do HGCC.
As gestantes de alto risco passaram a ser direcionadas para a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac) e para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Já os casos de baixo risco serão encaminhados aos hospitais Gonzaguinha de Messejana, José Walter e Barra do Ceará. Especialistas apontam que esse redirecionamento pode ampliar filas e aumentar a pressão sobre serviços que já eram considerados superlotados.
No setor ambulatorial, serviços como exames laboratoriais, ultrassonografias e consultas foram distribuídos entre unidades como Santa Casa, Hemoce, Hospital da Polícia e o novo Hospital Universitário. A Sesa informou que mais de 350 pacientes já foram contatados para remanejamento.
Além dos impactos assistenciais, profissionais e pacientes relatam efeitos emocionais causados pela súbita desativação do hospital. O superintendente da Sesa, Lino Alexandre, alerta para possíveis quadros de estresse pós-traumático entre trabalhadores e comunidade.
Enquanto aguarda inspeção completa e início das obras, o futuro do Hospital César Cals permanece incerto. O Governo do Estado afirma que a assistência será mantida e que não haverá prejuízo à população, mas entidades da saúde mantêm preocupação sobre a capacidade real da rede absorver tamanha demanda.
fonte:Diário do Nordeste
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