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Fila do SUS no Ceará pode ser reduzida com programa que troca dívidas por consultas

Por Central FM 104,93 min de leitura
Fila do SUS no Ceará pode ser reduzida com programa que troca dívidas por consultas

Ao longo dos últimos cinco anos, entre 2020 e 2024, operadoras de planos de saúde acumularam uma dívida de R$ 106,9 milhões com o Sistema Único de Saúde (SUS) por atendimentos prestados a seus clientes em unidades públicas do Ceará. O valor representa parte dos R$ 158,2 milhões que deveriam ter sido ressarcidos à União, mas apenas R$ 51,3 milhões foram efetivamente pagos ou parcelados — uma taxa de pagamento de apenas 32,43%, a quinta menor do Brasil.

Os dados constam na 18ª edição do Boletim Informativo da ANS sobre “Utilização do SUS por Beneficiários de Planos de Saúde e Ressarcimento ao SUS”. O levantamento mostra que o Ceará está atrás apenas do Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas em termos de inadimplência.

Como alternativa, o Ministério da Saúde lançou o componente Ressarcimento do Programa Agora Tem Especialistas, que permite às operadoras de planos privados converter parte da dívida em atendimentos especializados à população do SUS. A meta é transformar, já em 2025, R$ 750 milhões em consultas, exames e cirurgias.

A ideia é ampliar o acesso da população a serviços nas áreas mais críticas: oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia. No Ceará, mais de 74 mil pessoas aguardam por atendimentos especializados nessas áreas:

  • Oftalmologia: 21 mil

  • Ortopedia: 21 mil

  • Ginecologia: 16 mil

  • Otorrinolaringologia: 14 mil

  • Cardiologia: 2 mil

  • Oncologia: 200

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida visa utilizar a capacidade ociosa do setor privado, onde estão 90% dos especialistas e boa parte dos equipamentos de diagnóstico. “Se você não for onde estão os especialistas, os equipamentos, as estruturas de diagnóstico, você não vai reduzir o tempo de espera na velocidade que a gente precisa”, afirmou Padilha.

Como funciona a cobrança de ressarcimento

A ANS cruza dados de atendimentos do SUS com os registros de beneficiários dos planos. Quando é identificado que um atendimento público foi prestado a alguém com cobertura contratual, a operadora é notificada para ressarcir o SUS. As empresas podem recorrer administrativamente, mas em caso de negativa final, são inscritas em dívida ativa e no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público).

Entre os procedimentos que mais geram cobrança estão hemodiálise, cirurgias, tratamentos oncológicos, pós-transplante e até partos, segundo o médico sanitarista Álvaro Madeira Neto. Em sua avaliação, a proposta do governo é “uma inovação importante” para recuperar recursos e melhorar a eficiência do SUS.

Críticas e desafios da proposta

Especialistas em saúde pública, como a professora da UFRJ, Ligia Bahia, apontam desafios para a execução da proposta. Para ela, é preciso garantir que os pacientes do SUS recebam o mesmo padrão de qualidade dos atendimentos privados. “Se essas operadoras não atenderam seus próprios clientes, irão ampliar o acesso para cidadãos sem planos?”, questiona.

A proposta prevê um modelo regulado por edital, exigindo das operadoras capacidade técnica, regularidade documental e proposta alinhada às demandas locais. Os serviços prestados geram o chamado Certificado de Obrigação de Ressarcimento (COR), e só após o cumprimento da meta — mínimo de R$ 100 mil por mês em serviços prestados, ou R$ 50 mil em regiões com menos estrutura — a dívida é abatida.

Caso as operadoras não cumpram 90% do que foi acordado, poderão ser multadas ou excluídas do programa. A Portaria nº 7.702, de 28 de julho, determina o monitoramento rigoroso entre o Ministério da Saúde, a ANS, estados e municípios.

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Fonte:Diário do nordeste

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