O Ceará conquistou protagonismo no setor de tecnologia e infraestrutura digital, tornando-se um dos principais destinos para instalação de data centers das big techs. Apenas Fortaleza já concentra 11 empreendimentos do tipo, enquanto o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) registra ao menos nove novos projetos aprovados, somando cerca de R$ 558 bilhões em investimentos, segundo o próprio complexo.
A movimentação levanta uma pergunta central: por que o litoral cearense atrai tanto interesse de gigantes como Google, Meta, TikTok, Netflix, além de players como Angola Cables, Lumen e Scala Data Centers? De acordo com especialistas, a resposta combina localização geográfica estratégica, infraestrutura de cabos submarinos e abundância de energia renovável.
Hub mundial de cabos submarinos impulsiona baixa latência
Fortaleza abriga um dos maiores hubs de cabos submarinos do planeta, responsável por conectar o Brasil à América do Norte, Europa e África. Dos 18 cabos ativos até fevereiro de 2023, 16 chegam pela Praia do Futuro, formando uma das principais portas de entrada do tráfego global de internet.
Para o engenheiro elétrico e doutor em Ciência da Computação Júlio César Santos dos Anjos, essa estrutura é o principal critério para empresas instalarem data centers no Estado:
“Quanto menor for a latência, que é o tempo de transmissão entre um dado e outro, melhor para o data center — e a menor latência do Brasil é aqui, no Ceará.”
O especialista aponta ainda três pilares essenciais que tornam o Ceará líder no setor:
• menor latência do país,
• alta capacidade de transmissão de dados,
• redundância de conexões, que garante estabilidade mesmo em caso de falhas.
Energia renovável no Pecém atrai gigantes
Além da conectividade internacional, o Ceará se destaca por sua matriz energética renovável, especialmente pela força da energia eólica produzida no Pecém. A oferta estável e abundante de eletricidade limpa reduz custos operacionais e atrai empresas que consomem energia em larga escala.
O acesso ao litoral também favorece sistemas de resfriamento mais econômicos, incluindo a dessalinização da água do mar — processo que diminui o gasto de energia, um dos maiores custos desses empreendimentos.
Desafios para manter o crescimento
Apesar das vantagens, especialistas alertam que o Estado precisa superar desafios, especialmente garantir energia suficiente para suportar o aumento acelerado da demanda. O Ministério das Comunicações discute políticas nacionais para data centers, cabos submarinos e regulamentações ligadas à inteligência artificial.
“Com mais investimentos chegando, a questão é: teremos energia suficiente para este tipo de infraestrutura ao longo do tempo? Talvez sim, talvez não — vamos precisar produzir mais”, avalia Júlio César.
Data centers em operação em Fortaleza
Segundo a plataforma Data Center Map, a cidade conta atualmente com 11 estruturas em operação:
• Ascenty
• Angola Cables
• 2 unidades Tecto Big Lobster
• Hostweb Fortaleza
• 2 unidades Scala 1
• Ipxon
• ProveNET
• Ultranet
• Lumen
O cenário indica que Fortaleza e o litoral cearense devem seguir como um dos principais polos tecnológicos do Brasil e da América Latina nos próximos anos.
Fonte: Diário do Nordeste
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