A inauguração do Polo Automotivo do Ceará, localizado em Horizonte, marca um novo capítulo para a indústria automobilística brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT, participou da cerimônia nesta quarta-feira (3) e reforçou que a planta simboliza a retomada de um setor que perdeu força nos últimos anos.
Lula lembrou que, ao deixar seu segundo mandato em 2010, o Brasil produzia cerca de 3,6 milhões de veículos por ano, com expectativa de chegar a 6 milhões até 2015. Entretanto, esse avanço não se concretizou. A produção caiu para 2,3 milhões em 2023 e atingiu 2,5 milhões em 2024, ainda distante do recorde de 2010. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
“O dia de hoje não é apenas de comemoração, é de reflexão sobre por que as coisas não aconteceram com mais rapidez neste País”, afirmou Lula, defendendo investimentos estratégicos e elogiando a atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
A planta cearense ocupa o espaço onde funcionou a antiga Troller, desativada em 2021 pela Ford. O terreno foi transferido ao Governo do Estado e a retomada se deu com incentivos fiscais do programa federal Mover, voltado para inovação, sustentabilidade e transição energética.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que essa é a terceira planta automotiva inaugurada no Brasil nos últimos meses. Em outubro, foi aberta uma fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, com investimento de R$ 5,5 bilhões. Em agosto, a GWM iniciou operações em Iracemápolis (SP), com aporte de R$ 4 bilhões. Todas as novas plantas têm foco em carros eletrificados, sinalizando o interesse global da indústria pela eletromobilidade.
Segundo Alckmin, apenas em 2024 o Ceará recebeu R$ 3,5 bilhões em incentivos para inovação e sustentabilidade, estimulando a modernização de diversos setores produtivos. Ele também lembrou que essa política industrial se conecta a negociações comerciais internacionais, como as tratativas entre Mercosul e União Europeia, Singapura e Colômbia.
O novo polo automotivo produz inicialmente dois modelos da General Motors (GM): o Chevrolet Spark e o Chevrolet Captiva, ambos elétricos. Operando no modelo multimarcas, a planta terá capacidade para 10 mil veículos eletrificados em 2026, com ampliação prevista à medida que novos contratos sejam firmados. O investimento da Comexport, empresa responsável pela operação, foi de R$ 400 milhões.
O economista Célio Fernando, vice-presidente da Academia Cearense de Economia (Ace), avalia que o empreendimento contribui para a desconcentração regional da produção e fortalece o processo de neoindustrialização brasileira. Para ele, a planta é positiva para o setor, mas, isoladamente, não garante a retomada plena da indústria automotiva.
Segundo o especialista, a consolidação depende de novos investimentos, continuidade das políticas industriais, aumento das exportações e modernização tecnológica voltada para elétricos e híbridos. “Se o investimento vier acompanhado de inovação, integração com fornecedores locais e foco na transição energética, será um passo concreto no reposicionamento de longo prazo do setor”, aponta.
Para o economista Wandemberg Almeida, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon Ceará), o novo polo demonstra a retomada da confiança das montadoras no mercado nacional. Ele destaca que a reativação de fábricas antes desativadas torna o setor mais competitivo e atrai novos investimentos.
Na economia cearense, o impacto também é expressivo. A previsão é que a fábrica gere milhares de empregos diretos e indiretos, amplie a arrecadação e integre o Estado a uma cadeia produtiva de alto valor agregado, incluindo metalmecânica, eletrônica, logística e serviços especializados. A expectativa é de atração de fornecedores e formação de um polo industrial robusto, com efeitos duradouros em inovação e qualificação profissional.
fonte:Diário do Nordeste
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