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PF aponta indícios contra políticos com foro especial em investigação do Banco Master

Por Central FM 104,93 min de leitura
PF aponta indícios contra políticos com foro especial em investigação do Banco Master

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de envolvimento de políticos com foro por prerrogativa de função nas investigações que apuram irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo investigadores, o material apreendido na operação aponta referências a lideranças partidárias e autoridades, o que levou essa frente da apuração a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF). As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.

As menções a políticos surgiram a partir de provas coletadas na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como principal alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. De acordo com relatos feitos sob anonimato por investigadores, foram encontrados “vários achados” que citam nomes ligados ao Congresso Nacional e a outras esferas do poder.

Durante a prisão de Vorcaro, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e teve acesso ao telefone celular do banqueiro. As referências a políticos, no entanto, não estariam diretamente relacionadas ao inquérito que apura a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado e a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Essas irregularidades fundamentaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação, deflagrada em 18 de novembro do ano passado, no mesmo dia em que o Banco Master foi liquidado.

Vorcaro ganhou projeção em Brasília por manter uma ampla rede de relações políticas e por promover encontros em uma mansão na capital federal. Após ele se tornar alvo da PF, essas ligações passaram a gerar tensão entre autoridades, que demonstram receio de que conexões pessoais e financeiras com o banqueiro venham a público.

A segunda fase da operação Compliance Zero aprofundou a apuração sobre o uso de fundos administrados pela empresa Reag para o desvio de recursos captados pelo Banco Master por meio da venda de CDBs. Essa etapa ocorreu em janeiro, por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, após provocação da defesa de Vorcaro.

Os advogados alegaram ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar, que possui foro especial. A PF, contudo, afirmou que essa menção não é o foco principal da investigação e que o material cita outros políticos. Em depoimento prestado no fim de dezembro, Vorcaro minimizou suas conexões políticas e afirmou que, se tivesse o apoio que lhe atribuem, não estaria preso nem teria tido o negócio com o BRB negado.

Investigadores avaliam que a apuração envolvendo autoridades pode ser desmembrada do caso original. Mesmo que parte do inquérito seja remetida à primeira instância, a investigação relacionada a políticos com foro especial continuaria sob supervisão do STF.

Nas últimas semanas, ministros do Supremo discutiram a possibilidade de enviar parte do caso à Justiça de primeiro grau, como forma de reduzir a pressão sobre a Corte. O presidente do STF, Edson Fachin, chegou a afirmar que havia uma tendência de o processo deixar o tribunal. No entanto, a descoberta de indícios envolvendo políticos pode alterar esse cenário, mantendo uma frente da investigação no Supremo.

A PF trabalha agora na elaboração do relatório final da apuração que trata das fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master. Já a principal preocupação entre pessoas ligadas ao caso é que as investigações contra políticos não avancem no STF em razão de possíveis pressões sobre a Corte.

Fonte:DCM

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