A estiagem que atinge o Sertão Central do Ceará provocou grandes perdas na agricultura de Quixadá. O município perdeu 85% dos 5 mil hectares de milho e feijão cultivados, afetando os 12 distritos e mais de 8 mil agricultores. O decreto de emergência foi publicado no último dia 1º de setembro.
Segundo o secretário de Agricultura, Fausto Moreno, cerca de 4.250 hectares não brotaram devido à falta de chuvas. “Em média, cada agricultor planta entre 0,6 e 1 hectare. A perda foi generalizada”, explicou. O prejuízo equivale a aproximadamente 3.935 campos de futebol.
O decreto aponta que as perdas agrícolas comprometeram o abastecimento de água em algumas localidades e diminuíram a qualidade de vida da população rural. Ao todo, 8.661 pessoas foram diretamente afetadas, representando 7,6% da população do município.
Impactos na economia rural
A escassez levou muitos produtores a vender parte do rebanho para garantir renda e evitar maiores prejuízos. Embora não tenha havido morte de animais, houve grande volume de comercialização. Outras culturas, como o algodão, também foram afetadas. Dos 40 produtores cadastrados, 35 chegaram a plantar, mas enfrentaram baixa produtividade.
“Sem milho e feijão, os periquitos acabaram atacando a flor do algodão, o que reduziu ainda mais a produção”, destacou o secretário.
Um relatório com os impactos financeiros detalhados será elaborado ainda neste mês em parceria com o IBGE, Ematerce e sindicatos rurais.
Chuvas abaixo da média
A quadra chuvosa de fevereiro a maio registrou apenas 392,8 mm de precipitação, 30,1% abaixo da média histórica, segundo a Funceme. As chuvas se concentraram em fevereiro e março, mas foram insuficientes para garantir a safra.
“Entre abril e maio, os volumes ficaram bem abaixo da média. O açude Pedras Brancas até acumulou água, mas depois começou a reduzir por causa da demanda e da evaporação”, explicou o pesquisador da Funceme, Junior Vasconcelos.
Por ser um município extenso, com cerca de 2 mil km², muitas comunidades ficam fora do sistema de abastecimento regular e dependem de carros-pipa. Atualmente, 112 localidades são atendidas pela Defesa Civil com apoio da Operação Carro-Pipa.
Assistência aos agricultores
Dos agricultores prejudicados, apenas cerca de 2 mil têm direito ao Garantia Safra, programa que oferece apoio financeiro em caso de perdas. A Prefeitura também apoia os produtores com transporte de forragem e construção de cacimbas para garantir água ao rebanho.
“A prefeitura está ajudando quem tem gado a buscar forragem em Apodi, no Rio Grande do Norte, com transporte disponibilizado pelo município”, destacou Fausto.
Situação no Estado
De acordo com o Monitor das Secas, 88,7% do território cearense registrou algum nível de seca em julho, o cenário mais crítico desde janeiro de 2024. A seca moderada já atinge 35% do Estado, concentrada no Sertão Central, Inhamuns, Ibiapaba e região Jaguaribana.
E você, acredita que o Garantia Safra e as medidas emergenciais são suficientes para dar suporte aos agricultores de Quixadá diante dessa crise?
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Fonte:Diário do Nordeste
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