Central FM 104.9

Carregando ...

Tarifas de Trump afetam pouco a economia do Brasil, aponta Amcham

Por Central FM 104,94 min de leitura
Tarifas de Trump afetam pouco a economia do Brasil, aponta Amcham

Dois meses após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o impacto sobre a economia brasileira tem sido praticamente irrelevante. Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), revela que menos da metade das exportações brasileiras aos EUA — 44,6% — está sujeita à alíquota máxima de 50%. Outros 29,5% enfrentam sobretaxas menores, enquanto 25,9% estão completamente isentos.

Segundo Fabrizio Panzini, diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da Amcham Brasil, o impacto reduzido se deve à capacidade das empresas brasileiras de redirecionar commodities para outros mercados. “Os produtos-alvo de alíquota máxima são commodities, como café, carne e açúcar, que têm mais facilidade para redirecionar as vendas a outros países”, afirmou.

Setores mais afetados

No caso do café, por exemplo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos — maior mercado consumidor da bebida — caíram 56% em setembro em relação a 2024 e devem zerar nos próximos dias, segundo Marcos Matos, diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Ele explicou que o tarifaço provocou forte aumento nos preços ao consumidor americano, elevando a libra-peso de 284 para 380 centavos de dólar. “Isso causou uma grande realocação do mercado”, disse. “A Colômbia vai focar nos EUA, enquanto o Brasil deve ampliar vendas para a Europa e outros destinos.”

Outros setores, no entanto, enfrentam efeitos mais pesados. Na indústria da madeira, mais de 4 mil trabalhadores foram demitidos, e empresas acumulam estoques e custos de armazenagem elevados. Fora das commodities, setores como o mel do Nordeste, madeira e móveis do Sul e máquinas e equipamentos do Sudeste foram mais fragilizados.

O “xadrez tarifário” de Trump

Desde abril, Trump vem aplicando tarifas recíprocas e adicionais que podem somar até 50%. Itens como aço, alumínio, cobre, automóveis e autopeças foram enquadrados em tarifas setoriais específicas — algumas baseadas na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio dos EUA, que permite sobretaxas sobre bens considerados estratégicos para a segurança nacional.

Apesar das tarifas, as exportações brasileiras aos EUA cresceram 1,6% de janeiro a agosto em comparação ao mesmo período do ano anterior, impulsionadas pelo bom desempenho no primeiro semestre. Em agosto, no entanto, houve queda de 18,5%.

Reação do setor produtivo

Para Cristina Zanella, diretora da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), o setor conseguiu reorganizar seus fluxos comerciais. “Empresas que direcionavam a maior parte das exportações para os EUA vão distribuir esses produtos para outros países. Existe essa reestruturação no mercado internacional”, afirmou.

Enquanto isso, representantes brasileiros buscam negociar mudanças nas tarifas, e empresas americanas que dependem de insumos brasileiros pressionam o governo Trump. O empresário Joesley Batista chegou a se reunir com Trump em setembro para discutir a taxação de 50% sobre a carne.

O tributarista Leonardo Briganti avalia que os efeitos imediatos foram mais duros para os próprios Estados Unidos. “O efeito foi mais danoso para os EUA. A ideia de reindustrializar o país não aconteceu. Houve alta de custos e o pequeno e médio importador americano estão sofrendo”, disse. O governo americano já discute um pacote de US$ 10 bilhões para socorrer o agronegócio, especialmente os produtores de soja.

Impactos regionais e no emprego

Na Randa, indústria de madeira no Paraná, o faturamento caiu 30% após as sobretaxas. “Os estoques estão lotados, estamos pagando armazéns nos portos e o empréstimo via BNDES não sai. A pergunta é até quando vamos conseguir segurar”, relatou o CEO Guilherme Ranssolin. A empresa já dispensou 200 funcionários e colocou outros 600 em férias coletivas.

A Engemasa, em São Paulo, reduziu 10% do quadro de funcionários por causa dos estoques parados. Já a Fider Pescados conseguiu expandir vendas no mercado interno e no Canadá, compensando a queda de exportações aos EUA.

Mesmo com o cenário de incertezas, a análise da Amcham Brasil mostra que o Brasil tem mostrado resiliência. A diversificação de mercados e produtos tem sido decisiva para evitar maiores prejuízos e, ao que tudo indica, o impacto das tarifas americanas foi muito menor do que se temia — praticamente irrelevante.
Você acredita que o Brasil conseguirá manter essa resiliência econômica caso as tarifas sejam mantidas por mais tempo?

📲 @radiocentralquixada
🌐 www.centralfmquixada.com.br
Fonte:brasil247

#Economia #Trump #Tarifas #Exportações #BrasilEUA #CentralFM #Notícia #ComércioExterior#radioFMQuixada

Compartilhar:


Tarifas de Trump afetam pouco a economia do Brasil, aponta Amcham