A União aguarda para o mês de fevereiro a conclusão de um estudo que pode viabilizar a implantação de trens de passageiros em ferrovias atualmente abandonadas no Nordeste. A análise está sendo realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ocorre após o Governo Federal confirmar a devolução de 3.001 quilômetros de malha ferroviária não operacional da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL).
Os trechos devolvidos estão localizados nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Somente no Ceará, são cerca de 600 quilômetros de trilhos, ligando Fortaleza ao Crato, uma extensão considerada estratégica para projetos de mobilidade regional e urbana.
De acordo com o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro, que esteve no Ceará na sexta-feira (30) acompanhando as obras da Ferrovia Transnordestina, o objetivo do Governo Federal é transformar esses ativos ociosos em benefícios diretos para a população. Segundo ele, após a devolução oficial da malha, o foco será dar novas destinações aos trechos hoje inutilizados.
O secretário destacou que os estudos em fase final avaliam a conversão dessas ferrovias para sistemas de VLT (veículo leve sobre trilhos), mobilidade urbana e outras soluções de transporte de passageiros. Para viabilizar os projetos, o Ministério dos Transportes pretende lançar procedimentos de chamados públicos, com o objetivo de atrair a iniciativa privada, que já sinalizou interesse na recuperação dessa infraestrutura ferroviária.
Para a Ferrovia Transnordestina Logística, a devolução da malha não operacional representa uma estratégia para concentrar esforços na modernização do trecho ativo de 1.237 quilômetros entre Fortaleza e São Luís, no Maranhão. O diretor-presidente da FTL, Ismael Trinks, afirmou que o processo de devolução está avançado e já conta com acordo firmado junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), seguindo agora para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
No Ceará, além do trecho Fortaleza–Crato, outros projetos ferroviários seguem em análise técnica pela Infra S.A., como a implantação de um trem regional ligando Fortaleza a Sobral e a expansão do VLT do Cariri, conectando os municípios de Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte.
Especialistas apontam que o aproveitamento dessas ferrovias pode fortalecer a integração entre trens e sistemas de ônibus, reduzindo custos para os usuários, desafogando o trânsito urbano e ampliando o acesso ao transporte público de qualidade. Paralelamente, a Transnordestina planeja investir mais de R$ 3 bilhões na modernização da linha ativa voltada ao transporte de cargas, com melhorias estruturais e urbanas ao longo do trajeto.
Atualmente, o foco da ferrovia é o escoamento de grãos e celulose, mas os contratos existentes permitem o compartilhamento da infraestrutura para o transporte de passageiros, caso surjam operadoras interessadas nesse tipo de serviço.
Fonte:DN
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